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Volume I / Novembro – Dezembro 2002

Revista SPR 2002

Os primatas, ordem da qual fazemos parte, compartilham a característica de terem as palmas de suas extremidades lisas e apropriadas para se agarrarem aos galhos de seu ambiente arborícola. Porém, quando nossos ancestrais deixaram as árvores e se ergueram sobre seus membros traseiros, viram-se desprovidos da proteção que outros animais terrestres já tinham desenvolvido, como cascos e almofadas gordurosas e espessas, para proteção térmica e contra traumas. Como possuíam cérebros de maior tamanho, capazes de criar novas soluções e ferramentas, logo começaram a utilizar pedaços de couro de animal abatido para proteger seus pés. Nesse instante, criava-se a primeira órtese, no sentido conceitual, ou seja, material capaz de distribuir de forma mais uniforme as pressões sobre os pés e tornozelos, proporcionando maior conforto, proteção e fixação dos pés numa posição adequada. Com a evolução do homem, esses sapatos primitivos se modificaram e não mais tinham, por princípio, a função de proteção, mas sim de manifestação cultural das civilizações. E, atualmente, observamos o resultado inesperado da “evolução” desses calçados: os sapatos modernos danificam a estrutura dos pés. O mercado impõe padrões que, não raramente, são inadequados para os pés. O pé descalço é livre para se mover em todas as direções, e obriga seus músculos a funcionarem. Qualquer calçado diminui a capacidade de propriocepção de movimento; corredores descalços têm menos lesões que aqueles que correm calçados. Crianças pequenas devem ser mantidas sem sapatos até estarem andando com boa desenvoltura. Até os dois anos de idade, os pés das crianças não demonstram seus arcos. Durante a infância as crianças devem ser estimuladas e deixadas descalças sobre superfícies irregulares como areia, gramados etc..